POLILAMININA: A DESCOBERTA BRASILEIRA QUE DESAFIA A IRREVERSIBILIDADE DA LESÃO MEDULAR
Durante décadas, a medicina considerou a lesão da medula espinhal como uma condição permanente. A interrupção da comunicação entre cérebro e corpo era vista como definitiva, sem possibilidade real de reversão.
No entanto, a ciência avança justamente quando paradigmas são questionados. É nesse cenário que surge a polilaminina, uma descoberta brasileira que vem redefinindo os limites da regeneração neural e mudando a forma como a neurociência compreende a recuperação do sistema nervoso.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma forma polimerizada da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano e essencial durante o desenvolvimento embrionário. A laminina atua como um verdadeiro guia biológico, orientando a organização celular, o crescimento dos tecidos e a formação das conexões neurais.
A pesquisa é liderada pela Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao reorganizar a laminina em uma estrutura tridimensional altamente ordenada, os pesquisadores conseguiram criar um ambiente biológico favorável à reconexão de neurônios lesionados.
Por que a medula espinhal não se regenera facilmente?
Após uma lesão medular, o problema não se limita ao dano físico dos neurônios. O próprio organismo cria um ambiente hostil à regeneração, caracterizado por inflamação intensa, formação de cicatriz glial e ausência de sinais bioquímicos que orientem o crescimento dos axônios.
Mesmo quando os neurônios tentam se regenerar, eles não encontram um caminho organizado para se reconectar. É exatamente nesse ponto crítico que a polilaminina atua, reorganizando o microambiente da lesão.
Como a polilaminina é aplicada?
Nos estudos conduzidos pela equipe da UFRJ, a aplicação da polilaminina segue um protocolo específico, cuidadosamente definido:
- Aplicação direta no local da lesão medular
- Geralmente em dose única
- Preferencialmente dentro de uma janela de até 72 horas após o trauma
- Associada à reabilitação fisioterapêutica intensiva
No local da lesão, a polilaminina forma uma malha biológica tridimensional, funcionando como um verdadeiro andaime molecular para orientar a regeneração neural.
Mecanismo de ação: o “andaime” da regeneração neural
A polilaminina não atua como um milagre, mas como uma ferramenta biológica extremamente precisa. Seu papel é reorganizar o ambiente celular da lesão, guiando o crescimento dos axônios e facilitando a reconexão entre neurônios interrompidos.
Essa reorganização permite que sinais elétricos voltem a atravessar regiões antes consideradas intransponíveis. É como reconstruir uma ponte biológica onde antes só existiam escombros celulares.
Resultados observados até agora
Em modelos animais, como ratos e cães, os estudos demonstraram crescimento orientado das fibras nervosas, recuperação parcial de movimentos e melhora significativa da sensibilidade.
Em humanos, os dados ainda são iniciais, mas extremamente promissores. Casos experimentais indicaram recuperação sensorial e motora em pacientes que antes não apresentavam qualquer resposta neurológica.
Em 2026, a Anvisa autorizou o início dos testes clínicos formais, marcando um momento histórico para a neurociência brasileira.
O que torna essa descoberta revolucionária?
Diferentemente de abordagens baseadas em células-tronco ou intervenções altamente invasivas, a polilaminina utiliza uma proteína natural do próprio organismo. Ela não substitui tecidos, mas reorganiza o ambiente biológico, permitindo que a regeneração ocorra de forma guiada, controlada e biologicamente coerente.
Não é milagre. É ciência de longo prazo.
A pesquisa liderada pela Dra. Tatiana Sampaio levou mais de 25 anos para alcançar a fase clínica. Esse percurso reforça uma verdade fundamental: ciência real exige tempo, persistência e investimento contínuo.
A polilaminina não promete curas instantâneas. O que ela oferece é algo muito mais sólido: evidências científicas de que a regeneração da medula espinhal é biologicamente possível.
Um novo paradigma para o sistema nervoso
A grande transformação não está apenas nos casos individuais de recuperação, mas no novo paradigma científico que começa a se formar. A pergunta já não é mais se a medula pode se regenerar, mas quais condições precisam ser criadas para que isso aconteça.
E, até o momento, a polilaminina se apresenta como uma das respostas mais consistentes que a ciência conseguiu oferecer.
Fonte: Pesquisas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudos em neurociência regenerativa.
📸 Este conteúdo faz parte da série @arqueologiadasestrelas, publicada também no Instagram.



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